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Observações revelam uma grande tempestade em Netuno
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Enquanto observava Netuno ao amanhecer com o Telescópio Keck, o estudante Ned Molter descobriu um sistema de tempestades invulgarmente brilhante e quase circular perto do equador do planeta, uma região onde os astrônomos nunca tinham visto uma nuvem brilhante.
Crédito: N. Molter/I. de Pater, UC Berkeley/C. Alvarez, Observatório W. M. Keck

 

O nascer e o pôr-do-Sol são suficientes para deslumbrar a maioria de nós, mas para os astrônomos, o amanhecer e o crepúsculo são um desperdício de bom tempo de observação. Eles querem um céu verdadeiramente escuro.

Mas não Ned Molter, estudante de astronomia da UC Berkeley. Ele quis mostrar que alguns objetos brilhantes também podem ser estudados durante o lusco-fusco, enquanto outros astrônomos olham para o relógio, e rapidamente descobriu uma nova característica em Netuno: um sistema de tempestades quase do tamanho da Terra.

"Ver uma tempestade tão brilhante, a uma latitude tão baixa, é extremamente surpreendente," comenta Molter, que avistou o sistema perto do equador de Netuno durante um teste ao lusco-fusco utilizando o Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii. "Normalmente, esta área é verdadeiramente calma e só vemos nuvens brilhantes a bandas de latitude média, de modo que encontrar uma nuvem tão enorme situada no equador é espetacular."

Este enorme sistema de tempestades, encontrado numa região onde nenhuma nuvem brilhante tinha sido avistada antes, mede cerca de 9000 quilômetros em comprimento, ou um terço do raio de Netuno, abrangendo pelo menos 30 graus tanto em latitude como em longitude. Molter observou o aumento de brilho entre 26 de junho e 2 de julho.

"Historicamente, já têm sido avistadas nuvens muito brilhantes, ocasionalmente, em Netuno, mas normalmente em latitudes mais próximas dos polos, cerca de 15 a 60 graus norte ou sul," realça Imke de Pater, professora de astronomia da UC Berkeley e conselheira de Molter. "Nunca antes uma nuvem tinha sido observada tão perto do equador, nem assim tão brilhante."

Ao início, de Pater pensava que era o mesmo complexo de nuvens avistado pelo Telescópio Espacial Hubble em 1994, depois da icônica Grande Mancha Escura, fotografada pela Voyager 2 em 1989, ter desaparecido. Mas de Pater diz que as medições da sua posição não coincidem, sinalizando que este complexo de nuvens é diferente do que o Hubble viu pela primeira vez há mais de duas décadas.

Vórtices escuros, de alta pressão, ancorados nas profundezas da atmosfera de Netuno, podem ser os responsáveis pela gigantesca cobertura de nuvens. À medida que os gases sobem no vórtice, arrefecem. Quando a sua temperatura cai abaixo da temperatura de condensação de um gás condensável, esse gás condensa e forma nuvens, como a água na Terra. Em Netuno, espera-se a formação de nuvens de metano.

Tal como todos os planetas, os ventos na atmosfera de Netuno variam drasticamente com a latitude, de modo que se houver um grande sistema de nuvens brilhantes a abranger muitas latitudes, algo deverá estar a mantê-lo unido, como um vórtice escuro. Caso contrário, as nuvens separar-se-iam.

"Este grande vórtice está localizado numa região onde o ar, em geral, está a descer em vez de subir," comenta de Pater. "Além disso, um vórtice de longa duração, situado no equador, será difícil de explicar fisicamente."
Se não estiver ligado a um vórtice, o sistema poderá ser uma grande nuvem convectiva, semelhante àquelas vistas ocasionalmente noutros planetas como a grande tempestade em Saturno, detectada em 2010. Embora também seria de esperar que a tempestade ficasse consideravelmente "manchada" após uma semana.

"Isto mostra que existem mudanças extremamente drásticas na dinâmica atmosférica de Netuno, e talvez este seja um evento climático sazonal que ocorre a cada poucas décadas," realça de Pater.

Netuno é o mais planeta mais "ventoso" do Sistema Solar - os ventos mais velozes observados, no equador, atingiram uns violentos 1400 km/h. Colocando este valor em perspectiva: um furacão de Categoria 5 tem velocidades de vento na ordem dos 250 km/h. Netuno orbita o Sol a cada 160 anos e uma estação tem a duração aproximada de 40 anos.
A descoberta do misterioso complexo de nuvens equatoriais em Netuno foi possível graças a um novo programa do Keck, que permite que estudantes universitários e investigadores trabalhem com o telescópio, enquanto contribuem para o Observatório e para a sua comunidade científica.

Molter é um de oito estudantes aceites no programa este ano. A sua tarefa durante a sua estadia de seis semanas no Observatório, era desenvolver um método mais eficiente de observação ao crepúsculo, fazendo uso do tempo que, de outra forma, não seria usado. A maioria dos observadores da comunidade do Keck debruça-se sobre o céu noturno e não consegue observar os seus alvos durante o lusco-fusco.

 
 
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