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Depois de 11 anos, missão da sonda Dawn está chegando ao fim
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Impressão de artista da sonda Dawn manobrando acima de Ceres graças ao seu sistema de propulsão iônica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

 

A missão da sonda Dawn da NASA está chegando ao fim, após 11 anos de inovações na ciência planetária, reunindo imagens de tirar o fôlego e realizando feitos sem precedentes de engenharia.

A missão da Dawn foi prolongada várias vezes enquanto explorava Ceres e Vesta, que, quando combinados, perfazem 45% da massa da cintura principal de asteroides. Agora, a nave está prestes a ficar sem o combustível hidrazina. Quando isso acontecer, provavelmente entre setembro e outubro, a Dawn perderá a sua capacidade de comunicar com a Terra. Permanecerá numa órbita silenciosa em torno de Ceres durante décadas.

"Embora seja triste ver a saída da Dawn da nossa família de missões, estamos intensamente orgulhosos dos seus muitos feitos," comenta Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciências Planetárias na sede da NASA em Washington. "Esta nave espacial não só desvendou segredos científicos nestes dois mundos pequenos, como também foi a primeira a visitar e a orbitar corpos em dois destinos extraterrestres durante a sua missão. Os feitos científicos e de engenharia da Dawn ecoarão ao longo da história."

A Dawn foi lançada a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral em setembro de 2007, amarrada a um foguetão Delta II-Heavy. Entre 2011 e 2012, a sonda estudou Vesta, capturando imagens de crateras, desfiladeiros e até montanhas neste mundo parecido com um planeta.

Então, em 2015, as câmaras da Dawn detectaram um criovulcão e misteriosas manchas brilhantes em Ceres, que os cientistas descobriram mais tarde serem depósitos de sal produzidos pela exposição de líquido salobro a partir do interior de Ceres.

"O legado da Dawn é que ela explorou dois dos últimos mundos inexplorados do Sistema Solar," realça Marc Rayman, do JPL da NASA, em Pasadena, no estado americano da Califórnia, que serve como diretor e engenheiro-chefe da missão Dawn. "A Dawn mostrou-nos mundos alienígenas que, durante dois séculos, foram apenas pontos de luz entre as estrelas. E produziu estes retratos detalhados e íntimos e revelou paisagens exóticas e misteriosas, diferentes de tudo o que já vimos."

Feitos de engenharia
A Dawn é a única sonda a orbitar um corpo da cintura de asteroides. E é a única espaçonave a orbitar dois destinos extraterrestres. Estes feitos foram possíveis graças à propulsão iônica, um sistema de propulsão tremendamente eficiente, familiar aos fãs de ficção científica e entusiastas do espaço. A Dawn empurrou os limites das capacidades e resistência do sistema, mostrando quão útil é para outras missões que visam visitar vários destinos.

Impulsionada por propulsão iônica, a Dawn alcançou Vesta em 2011 e investigou o asteroide da superfície ao núcleo durante os 14 meses em órbita. Em 2012, os engenheiros manobraram a Dawn para fora de órbita e conduziram-na através da cintura de asteroides durante mais de dois anos antes de inseri-la em torno do planeta anão Ceres, onde tem vindo a recolher dados desde 2015.

A missão teve como alvos Ceres e Vesta, porque funcionam como cápsulas do tempo, sobreviventes intactos da primeira parte da nossa história.

"Vesta e Ceres contaram a sua história de como e onde se formaram e como evoluíram - uma história magmática de fogo que levou a um Vesta rochoso e uma história mais fria e rica em água que resultou no antigo mundo oceânico de Ceres," afirmou Carol Raymond, do JPL, investigadora principal da missão Dawn. "Estes tesouros de informações vão continuar a ajudar-nos a entender outros corpos no Sistema Solar no futuro."

Ceres espetacular
À superfície de Ceres, os cientistas encontraram a química de um oceano antigo. "O que descobrimos foi completamente alucinante. A história de Ceres está espalhada por toda a superfície," observa Raymond.

Alguns dos pontos brilhantes revelaram-se depósitos brilhantes e salgados, compostos principalmente por carbonato de sódio, que chegaram à superfície numa salmoura lamacenta de dentro ou de baixo da crosta.

As descobertas reforçam a ideia de que os planetas anões, não apenas as luas geladas, como Encélado e Europa, podiam ter abrigado oceanos durante a sua história - e potencialmente ainda o fazem. As análises dos dados da Dawn sugerem que ainda pode haver líquido sob a superfície de Ceres e que algumas regiões estavam geologicamente ativas até há pouco tempo, alimentando-se de um reservatório profundo.

Uma das maiores revelações da Dawn sobre Ceres está na região da Cratera Ernutet. Foram encontradas moléculas orgânicas em abundância. Estão entre os blocos de construção da vida, embora os dados da Dawn não possam determinar se os materiais orgânicos de Ceres foram formados a partir de processos biológicos.

"Existem evidências crescentes de que os compostos orgânicos em Ernutet vieram do interior de Ceres, e, nesse caso, podem ter existido por algum tempo no oceano interior," explica Julie Castillo-Rogez, cientista do projeto Dawn e vice-investigadora principal no JPL.

Vesta vibrante
Em Vesta, a Dawn mapeou as crateras deste mundo parecido com um planeta e revelou que o seu hemisfério norte sofreu impactos maiores do que o esperado, sugerindo que havia, ao início, um número maior de objetos grandes na cintura de asteroides do que os cientistas pensavam.

Em 1996, o Telescópio Espacial Hubble transmitiu imagens de uma montanha no centro de uma enorme bacia em Vesta, agora chamada Rheasilvia. O mapeamento da Dawn mostrou que ela tem o dobro da altura do Monte Evereste e revelou desfiladeiros que rivalizam em tamanho com o Grand Canyon. A Dawn também confirmou Vesta como a fonte de uma família muito comum de meteoritos.

Aproximando-se do fim
A Dawn continuou a recolher imagens de alta resolução, espectros de raios gama e de neutrões, espectros infravermelhos e dados de gravidade em Ceres. Quase uma vez por dia, sobrevoa Ceres a aproximadamente 35 km da sua superfície - apenas mais ou menos 3/4 da altitude de um jato de passageiros - reunindo dados valiosos até gastar o que resta da hidrazina que alimenta os propulsores que controlam a sua orientação.

Dado que Ceres tem condições de interesse para os cientistas que estudam a química que leva ao desenvolvimento da vida, a NASA segue protocolos rígidos de proteção planetária para o descarte da nave Dawn. Ao contrário da Cassini, que deliberadamente mergulhou na atmosfera de Saturno para proteger o sistema da contaminação - a Dawn permanecerá na órbita de Ceres, que não tem atmosfera.

Os engenheiros desenharam a órbita final da Dawn para garantir que não colida com o planeta-anão pelo menos durante 20 anos - e provavelmente durante mais algumas décadas.

Rayman, que liderou a equipe que voou a Dawn durante toda a missão e até a sua órbita final, gosta de pensar no final da Dawn desta maneira: como "um monumento inerte e celeste à criatividade e à engenhosidade humanas."

 
 
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